MANIFESTO ORILAB 83:
A RETOMADA DO ORI
Na Ori Lab83, a arte não é contemplação; é território de cura, insurgência e poder. Não pedimos licença aos cânones; nós os reescrevemos. Onde o passado tentou nos silenciar, o presente nos encontra com o pincel na mão, a ancestralidade como guia e a nossa própria pele como a tela definitiva.
Sei que a arte, em seu sentido literal, é livre. Mas a minha mão não consegue traçar um caminho que não esteja ligado às minhas vivências e verdades. Como ensinou Milton Santos, nossa visão de mundo parte daquilo que vivemos em nosso território. Por isso, meu trabalho é um compromisso inegociável com o que projeto para mim e para o próximo: paz, justiça, liberdade, barriga cheia e a urgência da retratação histórica.
Onde o mundo viu silêncio, nós impomos o nosso Axé:
- A Precisão do Foco: Com a força de Oxóssi, nossa arte é um tiro certeiro. Entre a calma estratégica e a ação explosiva, empunhamos o Ofá para caçar o conhecimento e a fartura. Nossa mira é o futuro, mas nosso rastro é ancestral. Okê Arô!
- A Coroação da Intelectualidade: Damos rosto e halo dourado a quem transformou a fome em literatura de sobrevivência. Retratamos Carolina Maria de Jesus como a rainha que ela sempre foi. Na nossa tela, o "quarto de despejo" ilumina o mundo e prova que a palavra é território de resistência.
- A Nova Renascença é Nossa: Subvertemos o símbolo de status europeu. Onde havia a pérola, cravamos o búzio. A beleza negra é o centro de uma história que se pinta com dignidade e autoridade.
- O Àdàlú como Manobra: Não acreditamos em misturas românticas. Celebramos o Àdàlú — a fusão estratégica. Sob cada página de livro oficial que tentou apagar nosso passado, a máscara de Exu segue viva, abrindo caminhos no chão da realidade.
- A Transcendência e o Sagrado: Capturamos a energia espiritual de mestres como Gilberto Gil e Pixinguinha. Entre a aquarela e o carvão, transformamos o "Planeta Fome" em luz e o sopro do saxofone em benção.
- A Pedagogia do Abraço: Através do brilho de Oxum Opará, transformamos o medo em encontro sagrado. Nossa arte é um manifesto educativo para que a ancestralidade guie nossas crianças de volta à superfície, protegidas pelo equilíbrio entre o afeto e a justiça.
- Quilombismo Visual e o Brasil Real: Ressignificamos as cores da bandeira sob a luz de Abdias do Nascimento. Enfrentamos as dicotomias do agora: celebramos o punho cerrado de Vini Jr. e denunciamos o marketing vazio de quem tenta capturar nosso Axé sem ter raiz.
A Ori Lab83 é o lugar onde a rua encontra o templo, onde o território encontra a tela e onde o algoritmo se curva à verdade. Pintamos para rasgar a narrativa oficial e afirmar: o nosso destino é traçado pela nossa própria cabeça.
Ori Lab83: Arte Insurgente. Ancestralidade Viva. Justiça Visual.
Axé!
Axé!
Laerte Heredia / Orilab 83